fbpx

“As férias no tempo de rua”

Quando falamos em férias impossível a lembrança não ativar os tempos de infância diante de tão esperado momento.

Nessa fase da vida cuja maior e melhor ocupação possível está no brincar, ansiávamos pelas férias como quem ganha vida extra nos trinta dias que se anunciavam após a dura jornada de aulas.

Nem a possibilidade de passá-la em casa, sem viagem em tempos difíceis de vivê-las, tiravam a alegria e o sorriso dos nossos rostos de criança.

Aos que ficavam em casa mesmo a alegria de acordar mais tarde e curtir um café da manhã daqueles especiais.

Lembrando que considerar “especial” muitas vezes significava apenas algo mais que simplesmente o pãozinho com manteiga e o copo de café com leite de todo dia.

Me lembro que nas manhãs de férias, o cheiro de bolo no forno me fazia pular da cama.

Tudo mudava. O ambiente, as horas do dia, o chamado do almoço enquanto aproveitávamos a manhã na rua, o chá da tarde acompanhado de torradas e tanta coisa gostosa que alimentava nossa felicidade de passar alguns dias sem o compromisso das lições de casa.

As partidas de futebol na rua e no campinho ganhavam tempo extra. O time sem camisas contra o time com elas ganhavam reforços antes não possíveis diante da divisão das turmas que em tempos de aulas estudavam pela manhã e à tarde.

As brincadeiras eram anunciadas ao grito de alguém que resolvia mudar tudo aquilo que era intensamente vivido: “Vamos andar de bicicleta!”

E lá corriam todos para as suas casas na busca por suas magrelas para logo em seguida formar aquela fila imensa na rua rumo ao nada que ao mesmo tempo era tudo.

Pedaladas pra cansar até que alguém grita: “Vamos brincar de pular corda!”.

Não demorava alguém a sair do quintal com uma corda gigante que atravessava a rua e logo começava a dançar pra cima e pra baixo aumentando a velocidade para que o desafio ficasse mais saboroso.

Alguém se lembra da batida “foguinho”?

A corda em velocidade quase a deixá-la invisível a alguém a saltitar feito maluco para vencê-la.

Me lembro de algumas vezes ganhar algo especial nas férias: a ida a casa da minha avó!

Se ir a casa da avó sem estar de férias já era geralmente algo delicioso, consegue imaginar estando?

Muitas coisas mudaram nessas décadas, mas existe algo que se mantém: a tal casa da vó!

Confesso que consigo hoje sentir, apesar do tempo que passou, o cheiro que tinha em casa. Parece que escuto a voz da minha avó a me chamar pro chá da tarde ou a me dar a mão pra hora do sono.

Coisas absolutamente simples, mas que tem um sentido gigante e aguçador de memória que não existe dinheiro que pague.

Enfim férias…

Hoje, para os que ficam em casa restam as disputas virtuais através dos games, cada um em sua casa.

Aos que viajam, as disputas nas intermináveis filas de brinquedos de extrema emoção, bastante diferentes dos esconde-esconde e bate-lata que nos ocuparam deliciosamente o tempo de férias.

(Roney Altieri)

Leave a Reply