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“E o que é que a Bahia tem mesmo?”

“Ahhhh meu Rei, fosse a Bahia um País e teria mais medalhas de ouro que muitos outros, oxiii…”

Quantos de nós não ouviu essa constatação nesses deliciosos dias de Olimpíadas?

Fruto de muito trabalho, perseverança, atitude, determinação aliados à já tradicional ginga, os nascidos na querida terra deram ao Brasil não só as tão almejadas medalhas de ouro. Na verdade, eles deram exemplo.

Seja nas braçadas, na distribuição de socos, no puxar das remadas ou na habilidade dos chutes, cada um na sua modalidade mostrou para um País como se constrói um campeão.

Sim, todos sabemos do mais absoluto descaso das entidades e autoridades no sentido de prover os atletas do que necessitam a representar de forma competitiva o País em grandes eventos esportivos.

A exceção do laureado futebol, sempre menino (sim menino, pois as meninas do futebol pouco recebem) dos olhos dos investimentos direcionados a atividade esportiva, os demais em sua grande maioria passam absolutamente despercebidos do público, que quase frequentemente se vê diante de uma modalidade que desconhecia.

Ou quantos sabiam que a maratona tinha sua versão aquática?

Ana Marcela superou a todos como tinha motores nos braços.

Seis vezes considerada a maior nadadora do mundo desta modalidade em águas abertas, foi para a Olimpíada como mais uma desconhecida.

A verdade é que não costumamos exaltar feitos oriundos de esportes cujos nossos olhos pouco veem.

Ana nadou, Ana nadou, como o nome a confundir com a ação, arrumou forças onde parecia não mais existir e bateu o mundo inteiro dentro d’água.

Isaquias não ficou atrás.

Dono de um vigor de deixar perplexos os que o veem na água, rema com uma fome de vencer e uma determinação de cruzar a linha de chegada que faz a gente se apaixonar pelo remo.

Vamos lá, então um cara ajoelhado ao barco, remando de apenas um lado, segurando praticamente a respiração para que os músculos fiquem abastecidos nesse tempo, mantendo-se em linha reta na pressão dos adversários, é humano?

Impossível.

Invejável vigor, tem esse Isaquias.

E o que dizer do Hebert?

Bailarino às avessas, a deslizar quase com graça sobre o ringue, porém a desferir golpes quase fatais aos adversários que insistem na insana tarefa de derrubá-lo?

Cada golpe dado por Hebert levava um pouco da nossa força para aqueles lutadores sem apoio.

Cada passo dado buscando o nocaute adversário, era um passo de cada um de nós também como ajudá-lo.

Herbert venceu, mesmo com todas as previsões e prognósticos contrários.

Um herói!

Quanto a Daniel Alves bom, quero crer que pouco necessite ser dito diante de tudo que já conquistou e ganhou no mundo da bola.

Sim, a exaltar que faltava na sua galeria uma medalha olímpica.

Não falta mais.

A esses baianos maravilhosos, doces bárbaros do esporte, batalhadores incansáveis que com recursos financeiros escassos se tornaram heróis de País, nosso respeito máximo.

Os quase 7.500 quilômetros de litoral de águas lindas desse País poucas vezes foram tão bem representados.

Ahhh os baianos…

(Roney Altieri)

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