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“Ele mora no mar, ele brinca na areia, no balanço das ondas…”

Que Marisa Monte me dê a licença do uso das palavras, mas nos dias de hoje está pra existir alguém que seja mais íntimo do mar do que Ítalo Ferreira.
Possivelmente Netuno, sim ele, o Deus do Mar, vendo como alguns humanos simplesmente ousam ultrapassar seus limites enfrentando o todo poderoso oceano, resolveu adotá-lo.

Sim, só pode ser filho Dele.

Tenho comigo que poucas coisas nos fazem tão bem quanto o contato com o mar.

Tem alguma dúvida?

Pois coloque uma criança sentada à beira da praia e verá algo do comportamento humano poucas vezes visto.
O sorriso saído do rosto assim que a água toca as pernas reflete intensamente essa sensação que vai nos acompanhar por toda a vida.
Já vi crianças que sonham jogar futebol chutando bolas de meia, já vi outras corajosas e amantes da velocidade sobre seus carrinhos de rolimãs devorando descidas, já vi taco jogado com casinha de galho de mamona num imaginado baseball, mas confesso a vocês jamais ter visto alguém surfar sobre uma tampa de isopor.

Eu não conhecia o Ítalo.

Daqueles que ousam enfrentar as adversidades transformando-as em degraus realizadores de sonhos, o surfista potiguar resolveu não errar.

Longe passava o pensamento de que todo o esforço de uma vida não poderia ser revertido na conquista de uma medalha.
Com cada onda transformada num degrau deslizante e perigoso, Ítalo viu sua tampa de isopor tomar forma olímpica e se transformar num instrumento de realização.

Dropou ondas com a graça e a competência de quem é íntimo delas. Ousou e abusou das manobras, deslizou, escorregou sem cair e voou por sobre elas, por mais difíceis que se apresentassem.

Sim, ele voou. Sabe-se lá de onde criou asas, sabe-se lá de onde colou os pés à prancha e sabe-se lá de onde, mesmo com tamanha competência manteve algo fundamental a aqueles que brilham: a gratidão e a humildade!

Ítalo resolveu brincar de ser feliz e feliz, voltou nos tempos em que era criança e que desafiava o mar com a tal tampa de isopor.
E Netuno, impávido a assistir todas as peripécias do seu filho, mandava ondas e mais ondas para seu eleito enfrentar.

Pois eis que da mistura de tudo isso, forjada a ousadia do Ítalo, eis que todos acabamos brindados com a medalha de ouro ao peito.
Obrigado pequena tampa de isopor por tudo que fez pelo Ítalo e por nós.

(Roney Altieri)

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