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“Fogueira para esquentar o coração”

Quem não tiver no guarda-roupa aquela camisa xadrez preparada pra te acompanhar numa festa junina que atire a primeira pedra.

Peça indispensável no dia a dia mais “casual”, eis que ela duplica a função quando te convidam praquela festinha com amigos para assar batata na fogueira e tomar um delicioso quentão numa noite fria de Junho.

Impossível aos olhos brasileiros passarem insensíveis pelas comemorações juninas que existem por todo o País, sem que possamos apreciá-las intensamente.

Eis uma das coisas que nos acompanha desde a infância e que nossa memória quase nunca apaga.

Volto no tempo pra me lembrar que tudo começava na sala de aula com a professora preparando os pares para a quadrilha.

Geralmente uma ou duas garotas mais populares, levadas a condição de “rainha caipirinha”, a serem disputadas por um monte de moleques ávidos pelos braços trocados com elas no rodar da música tocada apenas, única e exclusivamente nessa época.

“Eu pedi numa oração, ao querido São João, que me desse um matrimônio…”

Os bigodes e barbas caprichosamente pintados à mão de mãe compunham um conjunto completado por chapéu de palha, lenço amarrado no pescoço, calça com remendo no joelho, um par de botas ora substituído por tênis e sim, a tal camisa xadrez.

As meninas, como sempre, recebiam um destaque especial. Vestido colorido e rendado, chapéu com trancinhas e as imprescindíveis sardas distribuídas fartamente pelo rosto.

À noiva, um destaque ainda mais especial, com direito a noivo, pai bravo e armado, casamento e padre.

“O balão vai subindo, vai caindo a garoa, o céu é tão lindo, a noite é tão boa…”

Disco na vitrola, ou sanfoneiro ao vivo mesmo e lá ia aquela fila com os meninos de um lado e as meninas do outro.

“Olha a cobraaaaaaaa…”

“Olha a chuvaaaaaaaa…”

E lá seguiam todos atravessando toda a sorte de adversidades divertidas e repletas de pegadinhas gostosas de se enfrentar.

Na verdade, a gente torcia pra festa nunca acabar…

A música, as comidas, as roupas, os amigos, a caipirinha desejada, tudo, absolutamente tudo fazia do ambiente algo de intensidade extremamente especial e único.

Um universo de sentimentos e sensações somente possíveis nessa época do ano, cada um da sua forma e maneira, nos mais diversos cantos desse País.

Quero acreditar que nesse momento você está a desviar a atenção da leitura lembrando de algumas dessas passagens que você viveu numa dessas festas juninas que tenha participado.

E ao se lembrar de algo especial, aproveite intensamente e viaje nessa lembrança, afinal momentos tão marcantes merecem essa atenção de ti sempre que te baterem à porta.

Ahhh.. e não esqueça do “Chegou a hora da fogueira, é noite de São João…”

(Roney Altieri)

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