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“Montanhe-se”

Do alto se vê tudo.

Do alto as coisas tem outro plano e o tal infinito diminui a sua imensidão.

Indescritível a sensação de se estar acima das nuvens.

Por tempos desejamos esse navegar pelo céu e eis que na ausência das asas, resolvemos subir montanhas, e enfrenta-las até que se possa sentir esse prazer.

O que elas nos apresentavam antes como obstáculo, aprendemos a entender como oportunidade única de se fazer algo deliciosamente ousado.

A primeira sensação é do desafio.

Impossível não sentir uma certa inibição quando, ao longo da trilha, você a avista.

É você contra ela a te encarar.

Na medida que se aproxima, e ela parece aumentar de tamanho, chegas a duvidar a capacidade de conquistá-la.

Incrível ser justamente essa adversidade visual que te alimenta a vontade, que te gera a energia e te potencializa os passos rumo a enfrentar a fera de pedra.

Na subida, a neblina que esconde o presente, envolto por névoa, mata e uma sensação incrível de liberdade.

Passos que se por um lado diminuem a intensidade diante do íngreme do desafio, por outro te dão asas aos pés.

Percebes a alma a te empurrar rumo ao topo?

Sim, ela quer, necessita e te encoraja, afinal vitória sua, prazer de ambos.

Suor no rosto, misturado a chuva leve que cai te trazem o exato sentido das sensações amplas de quem se alimenta por sentidos outros que não o paladar.

A medida que se aproxima o cume, distanciasse do chão.

Quanto mais de ti, o céu dos eleitos raros para parece tocar com as mãos chega, mais se sente revigorado.

Não existe dor do pisar, nem seco da garganta, tão pouco coração acelerado. Tudo se harmoniza na intensidade da subida.

O desafio já não te parece tão distante de ser alcançado e as passadas vigorosas são retomadas como quem alimentado, renova energias tirando-a de onde jamais imaginavas.

Nuvens rompidas e eis que recebes de presente o Sol caloroso como que a recepciona-lo.

Aproveite e pare.

Sente-se brevemente que seja sobre uma pedra solitária por milhares de anos desejosa da sua companhia.

Aprecie. Sem moderação.

Transforme esses minutos em horas de intensidade raríssimas vezes vivida.

Consegues medir pela visão aproximada o quanto conquistou em passos desde o início da subida?

Não, não se trata de números.

Com a certeza de quem caminhou passos definitivos de reconexão com a natureza, não darás mais um sequer que não tenham esse tipo de valor.

E eis que esse, o tal sentimento de desafio, antes a atingir e agora cumprido, é que faz de alguém que sobe uma montanha jamais voltar a ser o mesmo de antes disso.

A montanha agradece que não sejas mais o mesmo.

(Roney Altieri)

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