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“Vivendo, Morro de São Paulo”

Havia tempo que Luiz já não vivia a intensidade da vida nem quanto às suas realizações tampouco as da vida pessoal.

Foram dezessete até felizes anos ao lado da esposa que conheceu ainda adolescente, alternados por outros nem tanto.

Uma viagem sim, uma viagem faria todo o sentido do recomeço e da reconstrução da agora vida sozinho.

Era tempo de férias que a muito não usufruía e portanto aproveitá-la intensamente era o objetivo.

– Natal? Vejamos, vendo muito para casais e como você não vai acompanhado… sei não. Que tal Morro de São Paulo?

“Onde?”

Assim Luiz tomou conhecimento do Paraíso.

Certo que a viagem escolhida sem querer a opção “com aventura” o fez quase se arrepender do destino.

Explico.

– Luiz, temos a opção aérea saindo de Salvador e isso irá lhe poupar algumas horas de lancha para chegar à Morro.

Feito.

Luiz só não imaginava o porte dos menores da aeronave e uma escala num “aeroporto de fazenda” entre uma floresta de se perder de vista.

Na chegada a Pousada na Praia 4 (Morro tem pelo menos 4 praias todas denominadas por números) a primeira desconcentração em delicioso sotaque baiano:

– Luiz me diga, está sozinho meu rei?

Ao “sim”, emendou: “Rapaz, eis que Marisa Monte ficou sozinha uma semana aqui e foi embora hoje pela manhã…”

Ficou no ar a dúvida a respeito do que o simpático atendente quis dizer com isso…

O caminhar descalço pela areia, o Sol acolhedor e a paisagem de tirar o fôlego deram novo alento à Luiz.

Os dias meio que largados e sem hora para absolutamente nada, tiraram as olheiras de noites de mau sono e o carrancudo do rosto acostumado a rotina.

No novo ambiente, Luiz passou a olhar com detalhes coisas que na cidade grande lhe passavam despercebido, como o funcionamento da maré. Pela manhã as piscinas naturais abundam pela praia e caminha-se muito na direção do recuado mar, que apenas pela tarde volta a dar o ar da graça.

O banho de mar na Praia 1 (a do Centro) tornou-se rotina depois da caminhada pelas três praias. Uma pequena mochila nas costas, chinelos de dedo, boné e o tempo todo do mundo para apenas curtir o Paraíso.

As vezes pelo caminho, um bate papo ou outro pra quem sabe se fazer uma amizade, mas que acabaram não concretizadas.

E assim se passaram os dias, renovados e baseados a intensidade de Sol, boa cerveja, petiscos e porções das mais variadas…

Aos finais das tardes, a cereja do bolo daquilo tudo que buscamos quando de uma viagem assim: o acordar do sono da tarde pra abrir a janela e apreciar uma Lua cheia saída do mar de desacreditar que fosse possível.

No início da noite, o banho frio e a caminhada novamente com destino a Praia 1, lugar de bares e restaurantes agradáveis a todo tipo de paladar. Algumas palavras trocadas no balcão e já na madrugada o retorno a Pousada.

Aí um capítulo bastante especial.

Sem luz elétrica em parte do local, o retorno é feito precisa ser feito pela praia, com água perto dos joelhos e apenas a luz da Lua a servir de iluminação.

Momento pra jamais esquecer…

Dias absolutamente perfeitos. Noites absolutamente maravilhosas.

A semana voou e Luiz acabou energizado por ela.

Reconectado a essência do que existe de mais natural, respirou fundo e se sentiu bem mais leve para enfrentar os novos tempos que virão pela frente.

A solidão aliada a tudo que Morro lhe ofereceu nessas férias, ajudou-o a entender melhor os contra tempos da vida e o quanto ela na verdade tem a nos oferecer.

E você, que tal uns dias para recarregar a bateria no Paraíso baiano em Morro de São Paulo?

(Roney Altieri)

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