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“O Beijo”

Mais que um filme, geralmente intenso na habilidade de fazê-lo inesquecível, já reparou na capacidade que temos de guardar determinadas cenas que acabam eternizadas em nossas mentes independente do tempo que as vimos?

Quantos e quantos momentos das nossas vidas não paramos pra pensar como num “déjà vu” em algo exatamente parecido que já foi visto num desses filmes que a tela de um cinema nos mostrou?

Já sei.

Parou pra pensar nisso, não?

E quantas não vieram te bater à porta da lembrança, amontoadas e ávidas por serem lembradas te levando aos mais intensos momentos vividos…

Claro que uma vastidão delas surgem na medida que as permite o espaço, porém tentarei traduzir algumas que possivelmente fazem parte do universo comum de muitos.

Poucas coisas trazem mais sensações diversas na plateia do que um beijo.

Beijo é beijo e ponto final.

O beijo conseguido a força, o de trazer lágrimas depois de muito desejado, o calmo e sereno, de olhar nos olhos, o de ponta cabeça, tantos e tantos das formas mais diferentes e imagináveis possíveis, tornarem-se inesquecíveis nos milhares de filmes já feitos.

Porém alguns marcaram época e serão sempre lembrados por muitos, não importando se o tempo que existiu tenha a muito passado.

Alguém aqui por força do descaso teve a ousadia de não assistir ao “E o vento levou…”?

Não quero crer.

Falar de cinema e não ter colocado olhos e sentidos num filme desse porte, esvazia em muito o poder da argumentação a respeito do assunto.

Obviamente que aos que assistiram a essa obra prima, impossível passar despercebido a intensidade das cenas de beijo entre Clark Gable e Vivien Leigh.

Únicas e daquelas que te fazem se sentir na pele das personagens, Rhett Butler e Scarlett O´Hara determinaram para o público da época o exato sentido e medida que se deve dar um beijo apaixonado.

E os musicais?

Clássicos por si mesmos, onde a habilidade da interpretação se mistura com a graça da dança e o esplendor da potência da voz.

“Dançando na chuva” marcou, com a certeza dos que buscam a perfeição, seu nome e lugar na prateleira dos mais destacados filmes da história do cinema.

Não deve existir alguém que não tenha se deliciado com os passos harmoniosos e ao mesmo tempo molhados de Gene Kelly sob a chuva torrencial.

Que cena…

Porém não forçarei a memória de ninguém para que se lembrem qual o motivo de tamanha alegria que fez o personagem dançar, dançar e dançar mesmo que aparentemente o espaço adverso não o permitisse.

Pois bem, um beijo que recebeu da garota pretendida.

Diante do que se passará logo na sequência, dá pra se ter uma ideia do que se é capaz de fazer após receber um.

Me diz, em qual momento dos teus sonhos não imaginou Scarlett Johansson participando dele?

E se junto a ela, você tivesse aos braços a companhia compartilhada de Penélope Cruz?

E se ainda nesse sonho, por obra do destino perverso com muitos, ambas se beijassem da forma que estivesse o mundo a acabar?

Eis em Vick Cristina Barcelona, o tal sonho realizado.

Mulheres, mulheres, lindas e competentes do cinema.

Homens, homens, galãs eternizados pela tela.

Em que momentos lembramos de beijos e esquecemos de Julia Roberts e Richard Gere em “Uma Linda Mulher”?

Não esquecemos…

Um amor inicialmente impossível e aos poucos, com o somar dos beijos, sendo construído para alegria de todos na plateia.

Casablanca, As Pontes de Madison, Ghost, A Dama e o Vagabundo, Notting Hill, Titanic, O Guarda-Costas e com certeza ficaríamos horas a falar dessas inesquecíveis cenas de beijos do cinema.

Melhor, ficaríamos dias.

Porém impossível passar despercebido por aquele que possivelmente é o mais romântico e belo beijo de toda a história do cinema: Burt Lancaster e Deborah Kerr em “A um passo da eternidade”.

Deitados na areia da praia, abraçados num beijo que parece não ter fim, o casal ainda recebe como prêmio da bela cena, as ondas que chegam à praia e cobrem seus corpos unidos.

Que cena…

Beijos e mais beijos que saltam das telas para os nossos corações onde jamais serão esquecidos e que se juntam aos tantos outros roubados por casais que os assistem das poltronas.

Na verdade, todos inesquecíveis.

Todos.

(Roney Altieri)

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