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“Onde o Caminho de Santiago encontra Dublin”

Juliana andava cansada.

Sinal dos tempos onde o trabalho intenso como secretária de Diretoria de um grande Banco, tomava na verdade não seu dia, mas sua vida.

Há muito planejava algo diferente de tudo que havia feito.

América do Norte várias vezes, Inglaterra uma outra, Alemanha também, não tinham aquilo que Juliana imaginava que pudesse completá-la nesse momento.

Algumas leituras, conversas com amigos e eis que surgiu: Caminho de Santiago!

Otavio dividia seu tempo entre a música tirada do seu violão e a cozinha bem feita e cuidada, porém de forma amadora.

O tempo passava e algo lhe faltava…

Sozinho, resolveu fazer uma viagem à Irlanda, local que um amigo visitou e ficou bastante impressionado.

Marcada a passagem, escolhido o dia, verificado o horário do voo e lá partiu Juliana rumo ao Aeroporto, levada por uma amiga.

Do outro lado, Otávio chamou um Uber, se despediu da mãe, pegou mala e violão e partiu rumo a realizar o sonho de se completar.

Já no avião, poltrona ocupada e o início do exercício que sem exceção cada um de nós aqui faz nessa situação: “quem vai sentar do meu lado?”

Um senhor alto e com a aparência de executivo deixou Otávio preocupado, afinal um homem daquele tamanho ao seu lado significaria menos espaço para locomover braços e pernas.

Mais uns passos e ufa, lá se foi o homem para trás.

Uma senhora aproximada possivelmente dos oitenta apontou no corredor. Otávio pensou “mas, se ela dormir, como vou sair pra caminhar um pouco durante o voo?”.

Mais uns passos e lá se foi a mulher mais para o fundo.

Com as chances quase acabando das poltronas sendo ocupadas, eis que apontou na frente uma moça clara, cabelo vermelho e encaracolado procurando seu lugar.

Otávio sorriu de canto de boca e pensou novamente: “Não, ela não vai se sentar do meu lado…”

Juliana se aproximou e anunciou o seu lugar.

Otávio não conseguiu esconder o sorriso abobalhado e ajudou-a a guardar a bagagem de mão.

A longa viagem permitiu aos dois que se conhecessem.

Sono?

Nada…

Riram de suas histórias, brincaram, trocaram coisas que os identificavam e na escala de Madrid, trocaram e-mail e telefone.

Juliana foi fazer sua caminhada.

Otávio foi andar pelas ruas de Dublin.

Ambos não conseguiam pensar em outra coisa que não fosse um no outro.

Os dias foram longos e mesmo cada um fazendo o melhor possível em intensidade dos seus dias, Juliana conhecendo um universo diferente daquele que vivia e Otávio, entre uma cozinha e outra sempre acompanhado do violão, não existiu uma hora a sobrepor outra que não tivesse uma troca de e-mail.

Juliana descansou apesar do corpo dolorido da longa caminhada. Teve tempo de sobra pra pensar na sua vida e naquilo que imaginava para si no futuro próximo.

Otávio aprendeu alguns novos pratos, fez amigos e mandou muito bem em alguns encontros provocados em grande parte pelo fato de saber como poucos tocar no violão algumas das músicas mais conhecidas do ritmo bossa-nova.

Voltaram a se encontrar um tempo depois das férias e hoje, pra resumir essa deliciosa história, são pais de um lindo casal de gêmeos.

Duvidam do que pode acontecer numas férias?

Aconselho a não fazerem isso numa próxima.

(Roney Altieri)

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