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“Rebeca, pra jamais esquecer…”

Iam os anos quarenta e Alfred Hitchcock, o Mestre do suspense abocanhou o Oscar de melhor filme com uma de suas obras primas: Rebeca, a mulher inesquecível!

Nele, uma moça de origem simples acaba se casando com um nobre inglês, dando assim o mote pro thriller de grande sucesso na época.

Quis o tempo que passados 80 anos da película surgisse outra Rebeca.

Simples, criada de mãe diarista compartilhando a casa com outros seis irmãos, Rebeca tinha absolutamente tudo para que as dificuldades não tivessem concorrentes.

As adversidades estavam ali apresentadas de forma tão marcantes e presentes que apenas uma variável poderia quebrar essa máxima: o acaso!

Levada por uma tia que trabalhava na limpeza de um Ginásio, Rebeca logo se mostrou eficiente no trato com a ginástica.

Com uma facilidade própria dos que nascem para a coisa, dava piruetas, cambalhotas e desfilava com tamanha graça que logo caiu nas graças dos professores.

Daí pra se tornar uma potencial ginasta foi um pulo (ou uma pirueta, ou ainda um duplo carpado, como queiram)!

Não, não se deixe enganar pela aparência tímida da menina da periferia de São Paulo.

O olhar aparentemente distante, na verdade, tem o frio do cálculo e da medida exata a se apresentar.

Contraste do coração que cada vez mais se aquece com os exercícios necessários a pontuação, os olhos trabalham o espaço como quem vasculha o detalhe que lhe fará a diferença diante de tantos outros oponentes.

Rebeca fez do piso da apresentação, o tapete de casa. Fez do ginásio esvaziado de público, porém lotado de energia, a sala da sua casa. Fez de cada gesto obrigatório e pontuado, um aceno livre de quem encontra amigos queridos numa caminhada de final da tarde.

Rebeca fez de Tóquio, sua querida Guarulhos.

Reverteu o que parecia impossível, transformou o que se apresentava inatingível, modificou a maneira desconfiada com que era olhada.

Na batida do “Baile na Favela”, mesmo para alguns que vivem a torcer seus narizes por ousadias como essa, Rebeca se tornou, aos olhos do mundo, inesquecível!

Tirou o nome do anonimato transformando-o em heroína.

E acima de tudo fez e mostrou que sim, é possível vencer apesar dos percalços a tropeções que a vida vive a nos oferecer como armadilhas, que na verdade são ensinamentos.

De Rebeca muitos esperavam a lata. Ela nos deu o ouro.

(Roney Altieri)

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